Poucas vezes eu vi meu pai chorar. Ver, apenas, é bem diferente do que se sentir responsável por lágrimas derramadas. Fazer alguém chorar tem um peso que me beira o insuportável.
Ver meu pai se despedindo de mim, com 19 anos e ainda uma menina, é uma cena que eu não consigo esquecer. Minha mãe que, em meio a uma conversa comigo, desabou em pranto pedindo que eu ficasse também é algo que tenho registrado até hoje.
Já me questionei, já me cobrei muito por ter levado essa dor pra eles. Até que ponto é válido correr atrás das nossas vontades? Um sorriso meu vale mais do que uma lágrima da minha mãe? Não consigo acreditar nisso... Às vezes, penso ser um tanto egoísta.
Minha determinação é uma faca de dois gumes. Ela me leva aonde eu quero. Mas às vezes isso beira uma obstinação exagerada.
Meus pais até hoje não entendem bem o que eu vim fazer tão longe e, em alguns momentos de recaída, ainda cobram a minha volta. Sentem minha falta e eu entendo isso. É difícil lidar com o fato de que não sou aquilo que meus pais esperavam que eu fosse.
Minha mãe é mais dura comigo. Não coroa muito as minhas vitórias, não joga confete. Eu entendo, ela me quer do lado dela e nada que dê certo aqui contribui pra isso.
Meu pai não confirma, mas eu sei que ele entende um pouco mais essa minha saída de casa. Se as lágrimas dele naquele 3 de dezembro me são inesquecíveis, o que ele me disse em uma das minhas idas e vindas também é. No aeroporto, numa dessas minhas voltas chorosas, ele me abraça com essas palavras, na tentativa de secar minhas lágrimas “minha filha, se embarcando nesse avião de novo você vai estar feliz, então tá tudo bem. Eu vou estar sempre aqui pra você”.
Estar longe da base é um dos capítulos difíceis dessa história. É o que mais faz balançar.

Lindo texto, minha Amis.
ResponderExcluirLaços de amor e saudade tornam qualquer palavra pequena.
Carols!!
ResponderExcluirSó agora tive tempo de ver seu blog! Sempre muito gostoso ler oq vc escreve, pode ter certeza que irei acompanhar sempre.
Só quem tá longe da familia sabe oq é mesmo saudade né, pq pra mim a minha casa é onde minha familia está, independente da região geográfica.
Saudades!
Bjoo,
Carol Pires.
Essa história é "do lado de lá"!
ResponderExcluirKeirolz, Chará, mulher brava, guerreira, e como bem mostra as duas histórias, muiiito determinada.
ResponderExcluirEmocionante os relatos, ou melhor as histórias de cá! Cortar o "cordão umbilical" é difícil, mas bem como seu pai disse... se ao vir para cá vc estará feliz, quando vc retornar eles estarão lá, lhe esperando com um gostoso e caloroso abraço, mesmo um rceosos, de boas-vindas novamente!
Muito lindo os dois textos!
Vou seguir seu blog
Quero saber mais dessa história de cá, que vc tem para nos contar!
Saudades
Carol Navarro
Suezinha, esta ainda é do lado de 'lá'. As do lado de cá já já serão postadas...
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